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As questões que se repetem em toda prova de Capitão

A prova de Capitão-Amador troca os números e o cenário a cada edição — mas, se você olhar de perto, um punhado de situações reaparece sempre, só que reformuladas. Não são as mesmas questões; são os mesmos tipos de questão. Abaixo, cada um deles com vários exemplos reais — de provas de anos diferentes, para você ver o mesmo tipo reaparecer.

Atualizado em junho de 2026

A resposta rápida

As questões exatas não se repetem, mas os tipos sim. Um conjunto de situações reaparece com muita frequência nas provas de Capitão: a plotagem de radar (ARPA), a passagem meridiana do Sol, a curva de estabilidade (GZ), o ciclone tropical e o semicírculo perigoso, a sobrevivência na balsa e os equipamentos do GMDSS. Quem treina esses padrões chega à prova reconhecendo o terreno — e ganha tempo onde os outros travam.

Por que as mesmas questões se repetem?

A prova é construída a partir de um programa fixo, e alguns temas pedem, por natureza, o mesmo formato de questão. Uma situação de radar quase sempre vira um problema de CPA e TCPA; a astronomia quase sempre passa pela meridiana do Sol; a estabilidade quase sempre cobra a leitura de uma curva. O cenário muda para evitar a decoreba — outro rumo, outra data, outro hemisfério —, mas o procedimento que resolve a questão é o mesmo. É essa repetição de forma que dá para treinar.

Abaixo, os tipos que mais reaparecem, cada um com exemplos reais de provas de anos diferentes e a resposta oficial. Para o mapa completo dos temas, veja o que cai na prova de Capitão.

Quais tipos de questão mais se repetem?

A plotagem de radar (ARPA)

O que é. Um cenário de radar com vários alvos na tela. A partir dos dados de cada alvo, calcula-se o ponto de máxima aproximação (CPA) e o tempo até esse ponto (TCPA), para decidir qual alvo oferece risco e que manobra fazer.

Como se repete. É uma situação que ganhou espaço e virou tema recorrente nas provas recentes. O enunciado muda o rumo, a velocidade e o número de alvos, mas a mecânica da rosa de manobra é sempre a mesma. Costuma vir encadeada: uma pergunta puxa a seguinte.

Exemplo real · CPA II/2024, questão 25
O veleiro “Langdon” navega no rumo 090°, velocidade 10 nós, e opera um radar com apresentação estabilizada (North Up), na escala de 24 milhas. Três alvos (A, B e C) são plotados numa Rosa de Manobra nos minutos 16 e 22. O que se pode afirmar sobre os alvos em relação ao veleiro?
  1. (A) “A” está se afastando, “B” está parado e “C” está se aproximando, com movimento de marcações para a esquerda.
  2. (B) “A” está em rumo de colisão, “B” está no R=090° e V=20 nós e “C” está no R=000° com V=10 nós.
  3. (C) “A” vai colidir em 36 minutos, “B” está no R=090° e V=10 nós e “C” vai cruzar a proa a 9,0 milhas.
  4. (D) “A” tem uma VMR de 12 nós, “B” está no R=270° e V=10 nós e “C” vai cruzar a proa a 4,5 milhas.
  5. (E) “A” vai colidir em 72 minutos, “B” está parado e “C” está se afastando com velocidade maior do que “Langdon”.

A questão vem acompanhada da figura com a Rosa de Manobra plotada.

Resposta: C — “A” colide em 36 min; “B” está no rumo 090° a 10 nós; “C” cruza a proa a 9,0 milhas.

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Como treinar. Treine a plotagem até ela ficar mecânica. Como as perguntas se encadeiam, um erro no traçado inicial derruba as seguintes.

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A passagem meridiana do Sol

O que é. O clássico da astronomia náutica: observa-se a altura do Sol na passagem meridiana (quando ele cruza o meridiano do observador, no ponto mais alto do dia) e, com a declinação tirada do Almanaque, calcula-se a latitude.

Como se repete. Aparece com muita frequência, dentro do bloco encadeado de astronomia. O cenário troca a data, a altura observada e o hemisfério, mas o roteiro de cálculo — hora da culminação, correções, latitude — se repete.

Exemplo real · CPA I/2023, questão 1
Um navegante prepara-se para determinar a posição na passagem meridiana do Sol, em 6 de agosto, na posição estimada Lat 24°15,1′S, Long 043°20,3′W. A que hora legal (Hleg) o Sol vai culminar nessa posição?
  1. (A) 12h 06m
  2. (B) 11h 59m
  3. (C) 11h 30m
  4. (D) 12h 01m
  5. (E) 13h 59m

Resposta: B — 11h 59m.

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Como treinar. Decore a sequência de passos e pratique lendo as páginas do Almanaque sob pressão de tempo. A prova fornece as tabelas; ela cobra você aplicar o procedimento sem hesitar.

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A curva de estabilidade (GZ)

O que é. Uma curva de estabilidade estática (braço de endireitamento GZ × ângulo de inclinação) para interpretar: ângulo de GZ máximo, faixa de estabilidade, comparação entre embarcações.

Como se repete. A estabilidade fecha a prova com peso alto, e a leitura da curva GZ é um de seus formatos recorrentes. Junto vêm o vocabulário e os efeitos sempre cobrados: superfície livre, tosamento, alquebramento, borda livre, trim.

Exemplo real · CPA II/2023, questão 33
A figura apresenta as curvas de estabilidade estática (CEE) de duas embarcações oceânicas, Alfa e Beta. Analise as afirmativas: I – Alfa tem uma maior razão de estabilidade. II – Em condições de equilíbrio estável, Beta tem maior estabilidade. III – Beta emborcaria em um ângulo de inclinação inferior ao de Alfa. IV – O balanço de Beta é mais lento, com mar de través.
  1. (A) Apenas I e II são verdadeiras.
  2. (B) Apenas II e III são verdadeiras.
  3. (C) Apenas I, III e IV são verdadeiras.
  4. (D) Apenas II e IV são verdadeiras.
  5. (E) Apenas I e IV são verdadeiras.

A questão vem acompanhada da figura com as duas curvas.

Resposta: E — apenas I e IV são verdadeiras.

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Como treinar. Não basta decorar definições: pratique ler a curva e relacionar cada termo a um efeito concreto no comportamento do barco. É o tema em que a terminologia mais derruba quem chega do Mestre.

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O ciclone tropical e o semicírculo perigoso

O que é. Uma situação de mau tempo severo: identificar o quadrante perigoso de um ciclone tropical, aplicar a regra do semicírculo e decidir a manobra de evasão (para que lado guinar para se afastar do centro).

Como se repete. A meteorologia está em toda prova, e o ciclone tropical é seu cenário mais característico — cobrado ora pela manobra de evasão, ora pelas suas características. Muda o hemisfério e a posição do barco; a lógica do semicírculo é constante.

Exemplo real · CPA II/2024, questão 10
Um Capitão-Amador em viagem ao Caribe (hemisfério Norte) é exposto a um furacão. Mesmo distante do olho e navegando no “semicírculo navegável”, o barco enfrenta ventos e mar fortes. Para minimizar os efeitos, a manobra evasiva correta é:
  1. (A) tomar o vento pela bochecha de bombordo (315° relativos), o mais rápido possível.
  2. (B) tomar o vento pela bochecha de boreste (45° relativos), o mais rápido possível.
  3. (C) tomar o vento pela alheta de boreste (135° relativos), e navegar o mais distante possível.
  4. (D) tomar o vento pela alheta de bombordo (225° relativos), e navegar o mais distante possível.
  5. (E) capear na menor velocidade em que se mantém o governo.

Resposta: C — alheta de boreste (135° relativos), navegando para longe do centro.

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Como treinar. Fixe a regra por hemisfério e treine visualizando a posição do barco em relação ao centro. Entender o desenho vale mais do que decorar a frase.

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A sobrevivência na balsa

O que é. O abandono e a sobrevivência em alto-mar: operar a balsa salva-vidas, racionar água e alimentos e cuidar dos náufragos — onde o socorro pode demorar horas ou dias.

Como se repete. A sobrevivência aparece com regularidade, muitas vezes misturada com procedimentos de emergência e sinais de salvamento. O cenário varia, mas as decisões de sobrevivência se repetem.

Exemplo real · CPA II/2024, questão 36
Em relação à alimentação e aos cuidados do náufrago, é correto afirmar:
  1. (A) as rações da balsa devem ser consumidas logo após o embarque.
  2. (B) com pouca água, deve-se buscar algas no fundo da balsa para consumo.
  3. (C) há que ter atenção aos peixes venenosos, pois não existe método seguro para saber se um peixe é venenoso.
  4. (D) quase todos os peixes, tartarugas e caravelas podem ser consumidos com boa reserva de água.
  5. (E) com restrição de água, pode-se consumir o sangue de aves e tartarugas.

Resposta: C — não há método seguro para identificar um peixe venenoso, então a cautela é a regra.

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Como treinar. Estude sobrevivência junto com emergência e salvamento — a prova trata os três como um bloco só. Atenção às pegadinhas práticas (o que comer, quando racionar).

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Os equipamentos do GMDSS

O que é. Identificar os equipamentos do sistema global de socorro e segurança marítima e saber o que cada um faz: EPIRB (radiobaliza), SART (transponder de busca e salvamento), NAVTEX (avisos automáticos) e DSC (chamada seletiva digital), além dos sinais de socorro.

Como se repete. É outra frente que ganhou espaço nas provas recentes. As questões trocam o equipamento e a situação, mas cobram sempre a mesma base: para que serve, como se ativa e quando se usa cada um.

Exemplo real · CPA II/2023, questão 29
Analise as afirmativas: I – Atualmente nenhuma estação costeira brasileira transmite mensagens em NAVTEX. II – Os rádios VHF têm o recurso de Chamada Seletiva Digital (DSC) no canal 77. III – Avisos temporários (Avisos aos Navegantes) antecipam correções que depois viram Avisos permanentes. IV – Foguetes lançando estrelas encarnadas, um de cada vez, em intervalos curtos, indicam perigo e pedido de auxílio.
  1. (A) Apenas as afirmativas I e IV estão corretas.
  2. (B) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
  3. (C) Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.
  4. (D) Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
  5. (E) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.

Resposta: A — apenas I e IV estão corretas.

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Como treinar. Monte uma tabela mental de cada sigla do GMDSS: nome, função e momento de uso. São pontos fáceis de garantir quando se conhece o equipamento.

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Como usar isso no estudo?

A lição prática é treinar por padrão, não por questão. Em vez de tentar adivinhar o enunciado da próxima prova, pratique cada um desses tipos até o procedimento ficar automático — porque é o procedimento, não o número, que se repete. Comece pela astronomia (a passagem meridiana e as correções de altitude), que costuma pesar bastante na aprovação, e dê atenção especial à plotagem de radar, que virou tema recorrente.

A forma mais direta de praticar é com questões no formato real. O simulado gratuito de Capitão traz questões reais da CPA com gabarito e explicação, e cobre os tipos deste artigo. Curioso sobre quando a banca erra? Veja as questões anuladas da prova de Capitão.

Perguntas frequentes

As questões da prova de Capitão se repetem?
As questões exatas, não — o enunciado, os números e o cenário mudam a cada edição. Mas os tipos de questão se repetem: as mesmas situações (plotagem de radar, passagem meridiana do Sol, curva de estabilidade, ciclone tropical, sobrevivência na balsa) reaparecem reformuladas com muita frequência.
Vale a pena estudar por provas anteriores do Capitão?
Sim, mas pelo padrão, não pela decoreba. Como os mesmos tipos de questão reaparecem, treinar com provas anteriores ensina a reconhecer o terreno e a executar os procedimentos recorrentes (cálculo de CPA/TCPA, latitude pela meridiana, leitura da curva GZ) com rapidez.
Qual o tipo de questão mais importante para treinar?
A astronomia náutica costuma pesar bastante na aprovação — comece pela passagem meridiana do Sol e pelas correções de altitude. Logo depois, a plotagem de radar (ARPA), que virou tema recorrente nas provas mais recentes.

Fontes

  • NORMAM-211/DPC — Anexo 5-A: conteúdo programático do Capitão-Amador.
  • Exame para Capitão-Amador — Marinha do Brasil (DPC) — provas, gabaritos e informações sobre a CPA I e a CPA II.
  • Provas oficiais de Capitão-Amador da DPC — CPA II/2019, CPA I/2022, CPA II/2021, CPA II/2022, CPA I/2023, CPA II/2023 e CPA II/2024 — origem dos exemplos reais e das respostas oficiais.

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