Prova
O que cai na prova de Capitão-Amador: temas e estrutura da CPA
Atualizado em junho de 2026
A estrutura da prova
A CPA é uma prova escrita, com 40 questões e até 4 horas, aplicada no mesmo dia em todas as Capitanias do Brasil (datas nacionais, definidas a cada ano pela Autoridade Marítima). Não é no computador. O exame já vem com os anexos de cada cenário: cópias das páginas do Almanaque Náutico e das tábuas necessárias para resolver as questões. Ainda assim, as instruções pedem que você leve o seu próprio Almanaque Náutico e a Tábua das Marés do ano, além do material de desenho (lápis, régua-paralela, esquadros). A nota mínima para passar é 50%: 20 questões certas.
Esses anexos são justamente o que diferencia a CPA:
- Almanaque Náutico Brasileiro (ANB). Páginas diárias com declinação, GHA, semidiâmetro e outras efemérides dos astros para a data do cenário, usadas para calcular a posição por alturas.
- Tabela de correção de altitude (A2). Corrige a altitude observada (refração, paralaxe, semidiâmetro) para chegar à altitude verdadeira.
- Tabela de conversão arco-tempo. Converte graus em horas, minutos e segundos de tempo — necessária nos cálculos de hora do meridiano.
Conhecer a existência dessas tabelas não basta: o candidato precisa usá-las sob pressão do tempo, em questões com vários passos encadeados.
A prova costuma ser organizada em blocos temáticos: normalmente abre com um bloco de astronomia (um único cenário encadeado) e fecha com estabilidade. Isso significa que um erro de interpretação no enunciado de abertura de um bloco pode comprometer várias questões seguidas.
Uma característica ajuda no planejamento: a CPA é um exame equilibrado, sem um tema que domine. A navegação (em suas três faces — costeira, astronômica e eletrônica), a estabilidade e a meteorologia puxam o maior peso; comunicações e sobrevivência vêm logo atrás. A lição é direta: não dá para apostar em um único assunto: a aprovação vem de cobrir o exame inteiro.
A exceção que merece atenção é a astronomia náutica: mesmo não sendo a mais frequente, é o bloco mais temido. Costuma vir concentrada num único cenário encadeado, em que um tropeço no enunciado de abertura derruba várias questões seguidas. É onde mais gente trava — por isso vale começar por ela.
Os temas
O programa oficial organiza a CPA em sete grandes assuntos. A prova é equilibrada — nenhum domina —, mas alguns puxam mais peso que outros. Com base na análise das provas dos últimos anos, o peso aproximado de cada um:
- Navegação Eletrônica: ~7 questões
- Navegação Astronômica: ~6 questões
- Estabilidade: ~6 questões
- Meteorologia e Oceanografia: ~6 questões
- Comunicações: ~5 questões
- Sobrevivência no Mar: ~5 questões
- Carta náutica e publicações: ~4 questões
- Lei do Mar: raramente cai
Dentro de cada assunto, estes são os temas específicos que você pode praticar — cada um com questões próprias. Clique para praticar.
Navegação Eletrônica
~7 questõesRadar e ARPA: CPA (ponto de máxima aproximação) e TCPA (tempo até esse ponto), zona de guarda, manobra de simulação (testar uma manobra antes de executá-la) e navegação paralela indexada. AIS: informações exibidas, diferença entre alvos ativos e dormentes, limitações. GPS e cartas eletrônicas. O foco é cruzar e interpretar os instrumentos, sem confiar cegamente em um só.
Praticar questões de navegação eletrônica →O lado prático do radar — de onde vem a maior parte das questões deste tema: usar o movimento relativo e a plotagem de alvos para prever o ponto de aproximação e evitar o abalroamento. Cobre também a condução da embarcação em alto-mar e na aproximação: efeito do leme e do hélice, manobra em mau tempo, fundeio, atracação e a manobra de homem ao mar (curva de Williamson) em condições oceânicas.
Praticar questões de manobras →Navegação Astronômica
~6 questõesO tema mais extenso e mais distintivo da CPA. O exame inclui páginas do Almanaque Náutico Brasileiro (ANB) como anexo, e o candidato precisa usá-las durante a prova. O que é testado: uso do sextante (erro instrumental, depressão do horizonte); correções de altitude (refração, semidiâmetro, paralaxe); passagem meridiana do Sol para calcular latitude meridiana; conversão de arco em tempo para calcular longitude. A astronomia costuma vir concentrada em um cenário único e encadeado — uma situação completa que se resolve passo a passo. Saber ler o ANB não é suficiente: é preciso praticar a resolução de situações completas com a tabela em mãos.
Praticar questões deste tema →Estabilidade
~6 questõesUm dos temas de maior peso na prova. O nível é bem acima do Mestre: curva de estabilidade estática (GZ), ângulos de inclinação máxima, padrões IMO de GZ mínimo. Vocabulário técnico extenso: borda livre, porte líquido, alquebramento (hogging), tosamento (sagging), efeito de superfície livre, trim (diferença de calado avante e à ré), reserva de flutuação. A referência mais citada é o livro do Cmt. Jaime Roberto da Costa Felipe.
Praticar questões deste tema →Meteorologia e Oceanografia
~6 questõesCartas sinópticas: como ler isobáras, identificar sistemas de alta e baixa pressão, prever trajetórias. Ciclones tropicais: quadrante perigoso vs. quadrante navegável, regra do semicírculo perigoso, manobras de evasão. Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Roteamento oceânico baseado em previsão meteorológica: quando vale desviar da derrota mais curta para evitar tempo severo.
Praticar questões de meteorologia →Correntes oceânicas e seu efeito sobre a derrota real (corrente do Brasil, corrente equatorial sul, Gulf Stream). Ondulação (swell) vs. vagas — diferença importante na previsão de conforto e segurança a bordo. Marés em oceano aberto. Salinidade e temperatura como referências de posição (em algumas rotas, o limite de correntes é identificável pela mudança de cor e temperatura da água).
Praticar questões de oceanografia →Comunicações
~5 questõesGMDSS (Global Maritime Distress and Safety System): DSC (Digital Selective Calling, canal 70), NAVTEX, INMARSAT, EPIRB 406 MHz (registro obrigatório, ativação automática), SART (transponder de busca e salvamento). Conceito IMO de e-navigation. Comunicações de emergência: MAYDAY, PAN-PAN, protocolo VHF. Inclui o serviço de assistência médica à distância (telemedicina), citado explicitamente em questões da prova.
Praticar questões deste tema →Sobrevivência no Mar
~5 questõesResposta a emergências em alto-mar, onde o socorro pode demorar horas ou dias: navegação sem instrumentos eletrônicos (orientação pelo Sol e estrelas, navegação estimada por velocidade e tempo), avaria, alagamento, incêndio a bordo, e primeiros socorros oceânicos (afogamento, hipotermia, insolação, fraturas) apoiados pela telemedicina. Sobrepõe-se com salvamento — questões tendem a misturar os dois.
Praticar questões de procedimentos de emergência →Operação da balsa salva-vidas em passagens oceânicas: ativação, capacidade, provisões de emergência. Sobrevivência em balsa: racionamento de água e de alimentos, estimativa de velocidade improvisada (construir um odômetro com materiais a bordo para manter a navegação estimada). Sinais de socorro (pirotécnicos, visuais, sonoros) e coordenação com busca e salvamento (SAR), helicóptero de resgate e EPIRB.
Praticar questões de sinais de salvamento →Carta náutica e publicações
~4 questõesPlanejamento de derrota oceânica (a rota planejada da viagem): ortodrômica (grande círculo) vs. loxodrômica (rumo constante), convergência dos meridianos, cálculo de distância em passagens longas. Leitura de cartas oceânicas e costeiras: escala, plotagem de posição, marcações, transferência de posição. Inclui o uso das publicações de auxílio à navegação (Almanaque, Lista de Faróis, Roteiro, Avisos aos Navegantes) na preparação da derrota: extrair o dado certo da tabela certa, não só saber que existem.
Praticar questões de cartas náuticas →A navegação à vista da costa levada ao nível do Capitão: determinação da posição por marcações e por ângulos, navegação estimada (rumo, velocidade e tempo), correção por corrente e vento, e aproximação segura da costa ao fim de uma derrota longa. É a ponte entre o trabalho de carta do Mestre e a navegação de alto-mar do Capitão.
Praticar questões de navegação costeira →Lei do Mar — lESTA/RLESTA aplicadas ao Capitão; principais convenções internacionais (SOLAS, MARPOL) no que se aplica ao amador; responsabilidades do Capitão-Amador em passagens internacionais (documentação, registro, despacho). Inclui os serviços de tráfego marítimo (VTS) e a aplicação do RIPEAM em zonas de tráfego intenso e no cruzamento com grandes navios. Não está entre os assuntos do programa oficial da CPA e raramente cai; se quiser reforçar, dá para praticar questões de legislação.
O que diferencia o Capitão do Mestre
O Mestre concentra o peso na navegação costeira com carta: rumos, marcações, posição no mar. O Capitão sobe um nível — navegação oceânica em derrota longa — e acrescenta três elementos que o Mestre não tem:
- Astronomia náutica. O tema mais trabalhoso da CPA para quem vem do Mestre. O candidato precisa entender o triângulo de posição astronômica, trabalhar com o Almanaque e executar correções de altitude com o sextante. Não dá para abordar isso no mês anterior à prova.
- Estabilidade avançada. O Mestre cobre o básico (metacentro, GZ). A CPA vai para a curva de estabilidade completa, tosamento, alquebramento, superfície livre e os padrões IMO de GZ mínimo, com terminologia técnica extensa.
- Radar sofisticado (ARPA/AIS). A CPA testa cálculos de CPA e TCPA pelo ARPA, zonas de guarda, manobra de simulação e a técnica de navegação paralela indexada, tudo além do radar básico do Mestre.
Há ainda uma diferença de material. O Mestre plota numa carta de papel avulsa — a Carta 13006, que a Capitania entrega no dia. O Capitão não usa a 13006: a CPA também tem plotagem (navegação costeira e radar), mas as cartas de cenário vêm nos anexos do próprio exame, junto com as tabelas.
A recomendação prática: comece por astronomia náutica. Além de ser o tema mais denso, é o que mais assusta quem chega do Mestre — e é o primeiro bloco da prova. Chegar na sala com astronomia resolvida muda completamente o ritmo dos dois ou três blocos seguintes.
O simulado gratuito de Capitão usa questões reais da CPA, com gabarito e explicação — bom ponto de partida para sentir o nível antes de começar os estudos.
Fontes
- NORMAM-211/DPC — Anexo 5-A: conteúdo programático do exame de Capitão-Amador.
- Exame para Capitão-Amador — Marinha do Brasil (DPC) — página oficial com editais e informações sobre a CPA I e CPA II.
- Provas CPA-I/2026 e edições anteriores — arquivos originais da Diretoria de Portos e Costas (DPC), usados para confirmar a estrutura e os blocos temáticos da prova.
- Capitão-Amador: Navegação Segura em Cruzeiros de Alto-Mar, Cmt. Jaime Roberto da Costa Felipe — referência bibliográfica recorrente nas questões da CPA, especialmente em estabilidade.
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