Dados

A prova de Mestre em números

O Mestre-Amador é o passo acima do Arrais: a categoria de quem sai das águas abrigadas e navega pela costa. É um mundo bem menor — enquanto o Arrais soma mais de cem mil inscritos por ano, o Mestre não chega a alguns milhares. E os números oficiais trazem duas leituras úteis: a aprovação roda em torno de 65% de quem faz a prova, estável e um pouco abaixo do Arrais — o conteúdo é mais técnico, e um em cada três que fazem reprova. É uma prova que cobra estudo dirigido de navegação costeira. Aqui estão os dados, ano a ano — inclusive o pico fora da curva de 2024.

Atualizado em julho de 2026

Quantos fazem e quantos passam

O Mestre-Amador habilita à navegação costeira — entre portos, à vista do litoral, até 20 milhas náuticas da costa. É uma categoria de nicho: parte de quem já tem o Arrais e quer ir além das águas abrigadas. Pelos dados oficiais da Marinha do Brasil, fora o pico de 2024, o número de inscritos ficou entre cerca de 2.400 e 3.400 por ano.

Candidatos inscritos no Mestre por ano (2021–2025)

Série anual de inscritos no exame de Mestre-Amador no Brasil. 2024 foge da curva, com 7.173 inscritos — mais que o dobro dos outros anos.

Candidatos inscritos no Mestre por ano (2021–2025)Série anual de inscritos no exame de Mestre-Amador no Brasil. 2024 foge da curva, com 7.173 inscritos — mais que o dobro dos outros anos.2.47320212.41120223.18020237.17320243.4392025

Fonte: dados oficiais da Marinha do Brasil — Diretoria de Portos e Costas (DPC).

Entre quem faz a prova, a aprovação é notavelmente firme: ficou entre cerca de 62% e 69% ao ano em todo o período. A tabela abaixo abre os números por ano, separando aprovados, reprovados e quem faltou ao exame.

Mestre-Amador — inscritos, aprovados, reprovados e faltosos, por anoAprovação (de quem faz) = aprovados ÷ (aprovados + reprovados), sem contar quem faltou. Dados de resultado por candidato.
AnoInscritosAprovadosReprovadosFaltaramAprovação (de quem faz)
20212.4731.359664450≈ 67%
20222.4111.343631437≈ 68%
20233.1801.794928458≈ 66%
20247.1733.7882.3111.074≈ 62%
20253.4391.871862706≈ 69%
Fonte: dados oficiais da Marinha do Brasil — Diretoria de Portos e Costas (DPC).

Uma aprovação estável — e o pico de 2024

O primeiro recado é a estabilidade. Diferente do que uma leitura apressada sugere, a aprovação do Mestre não oscila muito: fica em torno de 65% de quem faz a prova, ano após ano. Nem o salto de inscritos de 2024 derrubou a taxa — ela ficou em 62% naquele ano, dentro da faixa de sempre.

O segundo é o contraste com o Arrais. A aprovação do Mestre (≈ 65% de quem faz) fica um pouco abaixo da do Arrais (≈ 77%). Faz sentido: o Mestre é o segundo degrau, com conteúdo mais avançado — carta náutica, agulha e rumos, marés e correntes. Não é uma prova traiçoeira, mas cobra mais repertório do que a porta de entrada.

Falta explicar o ponto fora da curva de 2024, com 7.173 inscritos — mais que o dobro dos anos vizinhos. Nossa hipótese, que a Marinha não confirmou publicamente, é uma mudança de regra: a NORMAM-211 trouxe, em 1º de junho de 2024, uma nova classificação de embarcações que teria levado titulares de Arrais a buscar o Mestre naquele ano; a norma foi revogada em 11 de março de 2025, e o volume voltou ao patamar anterior no ano seguinte. É revelador que, mesmo com essa enxurrada de candidatos, a aprovação tenha se mantido — mas a causa do pico em si é leitura nossa, não um fato confirmado pela Marinha.

Onde o Mestre fica entre as categorias

Visto de cima, o Mestre é uma categoria de meio: muito menor que o Arrais e a Motonauta em volume de candidatos, e bem maior que o Capitão e o Veleiro. Entre as três categorias com contagem de provas publicada, a diferença de escala salta aos olhos.

Candidatos inscritos em 2025, por categoria

Inscritos no exame em 2025, por categoria: Arrais ≈ 116 mil, Motonauta ≈ 16 mil, Mestre ≈ 3,4 mil.

Candidatos inscritos em 2025, por categoriaInscritos no exame em 2025, por categoria: Arrais ≈ 116 mil, Motonauta ≈ 16 mil, Mestre ≈ 3,4 mil.≈ 116 milArrais≈ 16 milMotonauta≈ 3,4 milMestre

Fonte: dados oficiais da Marinha do Brasil — Diretoria de Portos e Costas (DPC). Capitão-Amador e Veleiro não têm contagem de provas publicada.

Acima do Mestre está o Capitão, a categoria mais rara depois do Veleiro — poucas centenas de habilitações por ano. Abaixo, o Arrais, a porta de entrada de volume, onde a aprovação é um pouco mais alta.

O que fazer com isso

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Perguntas frequentes

A prova de Mestre é mais difícil que a de Arrais?
O conteúdo é mais avançado — navegação costeira, cartas náuticas e marés — e a aprovação do Mestre (cerca de 65% de quem faz) fica um pouco abaixo da do Arrais (cerca de 77%). Não é uma prova traiçoeira, mas cobra mais repertório, e parte de quem já passou pelo Arrais.
Qual é a taxa de aprovação do Mestre?
Cerca de 65% entre quem faz a prova (2021–2025), estável ano a ano. Contando todos os inscritos, incluindo os que faltam, a fatia aprovada fica em torno de 54%.
Quantas pessoas tiram o Mestre por ano?
Poucas, em comparação com o Arrais: fora o pico de 7.173 em 2024, ficou entre cerca de 2.400 e 3.400 inscritos por ano no período 2021–2025, contra mais de cem mil do Arrais.
Preciso ter o Arrais antes do Mestre?
Sim, a habilitação de Mestre parte da de Arrais: quem tem Mestre pode navegar tanto em águas interiores quanto na costeira, até 20 milhas náuticas da costa. Mas a prova do Mestre não é a prova de Arrais mais um adicional — ela tem programa próprio, com temas de navegação costeira (carta náutica, marés e correntes) que não caem no Arrais. E nenhuma das duas cobre moto aquática: isso é a habilitação Motonauta, à parte.
Por que 2024 teve tantas provas?
O número de inscritos mais que dobrou em 2024 — isso os dados confirmam. A causa é hipótese nossa, não confirmada pela Marinha: uma mudança na NORMAM-211 pode ter empurrado titulares de Arrais para o Mestre naquele ano; a regra foi revogada em 2025, quando o volume voltou ao patamar anterior.

Fontes

Os números deste artigo são oficiais da Marinha do Brasil (Diretoria de Portos e Costas, a DPC — o braço da Marinha que regula a navegação no Brasil):

Nota de método: a base oficial registra cada inscrição como aprovado, reprovado ou faltoso, então a taxa de aprovação aqui é a real, por candidato. A relação entre o pico de provas de 2024 e a mudança da NORMAM-211 é uma hipótese bem fundamentada, não confirmada pela Marinha.

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